Quando o pai faz anos

O relógio caminha e nos aproxima. Se eu me assusto ao ver o seu cabelo todo branquinho é porque os meus também clareiam por aqui. É estranho o pai da gente virar senhor e, de repente, ser aceito com sorrisos na fila preferencial. Para quem é filho, pai é atemporal. Vai ser sempre pai, não importa quantos anos colecione.

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Eu e meu pai na década de 80; detalhe para o meu look Xuxa

Mesmo com a perda recente do meu avô, a velhice ainda parece inesperada. Uma visita indesejada que chegou sem convite. A idade nos amedronta porque expõe o que insistimos em não ver: não temos controle sobre o andar da vida. Somos um monte de pessoas a fingir convictos que vemos o amanhã. Aquele dia esperado que nunca chega.
Meu pai essa semana completou mais um ciclo de vida. Já tem um punhado de anos a encher a própria bagagem. Espero que, a mesmo com o peso da idade, o olhar para o passado seja gentil. Que encontre boas memórias e que seja possível perdoar a si mesmo por tudo que não saiu exatamente como o planejado. Estar aberto ao imprevisto é se permitir leveza na caminhada.

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Valsa desajeitada na formatura do colégio nos anos 2000

Se o futuro encurtou é hora de manter os pés firmes no dia de hoje.
A gente nasce gente e segue gente por aí. Por mais que o calendário siga com dias riscados. Somos o que temos na essência.

Que você possa fluir, pai! Sempre!
Parabéns! 🙂