Bololô

O olhar no papel não teme o branco. O problema não é falta de ideias, é o excesso. Mistura sem sentido, algum fio de coerência, pontuação fora do lugar. Geladeira quebrada, pó de café no fim, compromissos na agenda virtual, no papel, na cabeça que não pode descansar.
Bololô.

Tenta pausa. Mas até lá encontra ruído. Esvaziar-se de compromisso é difícil. Esvaziar-se de si é quase instantâneo. A gente permite que o mundo nos invada como quem convida um amigo querido para o jantar. Depois, não sabemos o que servir. Na verdade, a gente não quer pôr a mesa para ninguém. Queremos só comer boa refeição na própria companhia.
Na baderna de fora que entra em nós, vale o ditado: saco vazio não para em pé. Na balança, um pouco menos do outro e a gente sempre inteiro.
Acordei com saudade da minha presença.