Ano Novo

Estar longe da escrita é pensar que se perdeu a própria voz. Que a alma ficou rouca até emudecer e fazer-se apenas silêncio. Mas é preciso respeitar o próprio tempo, se permitir calmaria, ausentar-se. Foi assim o fim do ano e o encontro com o Jalapão, no Tocantins.

Sem a tradicional ceia, nem presentes, nem árvore com bolas coloridas. No meio do cerrado, era tempo de lembrar o incrível azul do céu, de ver nuvens, sentir água, sol, mosquito. Um mundo todo a girar enquanto a gente vive esbaforido na capital.

Dunas do Jalapão (TO)

Longe das festas e dentro de si. Tentando se reconectar com o que é essência, reavaliando, afinal, o que é mesmo que importa. Separar o que era preciso ao próximo ano e o que descartar. Respirar. Só respirar. Sem ansiedade, nem compromisso, nem pressa. Como se respira, mesmo? Sentir o ar. Aquele que parece faltar sempre que a vida aperta. Sentir que o ar não foge ao peito. A gente que corre dele no alvoroço dos problemas e das dores nossas de cada dia.

Aquietando o barulho interno é possível ver o infinito. E como tem cor nesse mundo! Misturadas, separadas, completas. Os sons inesperados, de bicho, de mato, de água. A cada dia uma nova sensação, uma descoberta, um lugar ainda mais bonito.

Fervedouro Buritizinho (TO)

Por fim, a beleza só se manifesta para o observador disposto. A paisagem lá fora reflete o que sentimos em nós. O Jalapão ecoa até agora porque eu me abri a ele. De volta, ele mostrou toda a sua plenitude.

Serra do Espírito Santo (TO)

Que em 2017 a gente encontre o equilíbrio que vemos na natureza. Que consegue ter mansidão e agitação em uma medida exata para seguir seu curso.

Vamos consentir a jornada que nos realiza.

Feliz mais um ano!